Dermatite atópica e os cuidados com a saúde mental
Situações estressantes podem levar a um aumento da coceira, o sintoma mais comum da doença, e vice-versa. Além disso, devido ao aspecto das lesões, pessoas com a condição convivem com impactos na autoestima que muitas vezes estão por trás de quadros depressivos.
São Paulo, outubro 2025 – Preocupação excessiva. Nervosismo. Uma dor persistente. É dessa forma que muitas pessoas com dermatite atópica (DA), ou eczema, podem se sentir. Estimativas apontam que adultos com a condição têm um risco três vezes maior de desenvolver ansiedade e depressão — e essa probabilidade aumenta conforme a gravidade da DA¹.
Além disso, pacientes com dermatite atópica podem apresentar 44% e 36% maior probabilidade de ideação suicida e tentativa de tirar a própria vida, respectivamente². Em outras palavras, a DA vai muito além da coceira intensa, seu principal sintoma, deixando as emoções à flor da pele.
Dados indicam que cerca de 7% da população adulta brasileira convive com a doença³. A dermatite atópica é crônica, hereditária e não contagiosa, mas, mesmo sendo relativamente comum, ainda há dificuldades no diagnóstico em muitos casos, principalmente devido à semelhança dos sintomas com os de outras dermatoses, como as dermatites de contato⁴⁻⁶.
Em geral, os sintomas da DA incluem lesões de pele acompanhadas de coceira intensa (prurido), que podem estar associadas a ressecamento, descamação, alterações na coloração da pele — com manchas avermelhadas ou violáceas — e formação de placas espessas⁴. Alergias, fatores ambientais, alterações hormonais e estresse podem atuar como gatilhos para o surgimento ou agravamento da doença.
Devido ao aspecto das lesões e ao desconforto persistente que provocam, pessoas com dermatite atópica frequentemente enfrentam impactos na autoestima, o que pode levar à depressão e a outros transtornos psicológicos²,⁷,⁸.
“A população em geral ainda tem um grande desconhecimento sobre a dermatite atópica, principalmente sobre seus efeitos na saúde mental — não só dos pacientes, mas também de seus familiares”, explica o dermatologista Paulo Oldani, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Rio de Janeiro. “É uma doença crônica, que não tem cura e pode evoluir para quadros mais graves, impactando significativamente o dia a dia do paciente.”
Diante desse cenário, o tratamento adequado deve envolver acompanhamento multiprofissional, com médico e psicólogo, visando o cuidado integral e o bem-estar do paciente.
Como diminuir o impacto mental da doença
Algumas práticas podem ajudar a controlar a ansiedade e o estresse do cotidiano, evitando que atuem como gatilhos para as crises de dermatite atópica¹:
Caminhadas, ioga e meditação;
Participação em grupos de apoio ou associações de pacientes;
Sessões de psicoterapia;
Atenção à qualidade do sono — e busca de auxílio médico quando a coceira interfere no descanso;
Prática regular de atividade física, que pode contribuir positivamente para o humor e a saúde mental.
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CMAT-01292 – OUTUBRO 2025