Envelhecimento da população acelera aumento das demências no Brasil

Avanço dos casos exige novos caminhos para prevenção, diagnóstico e cuidado em saúde

O Brasil vive um processo de envelhecimento populacional acelerado, e isso tem consequências diretas para a saúde pública. Hoje, 8,5% das pessoas com 60 anos ou mais convivem com algum tipo de demência, o que representava cerca de 2,5 milhões de brasileiros em 2019¹. As projeções para 2060 são preocupantes: se nada mudar, o país pode alcançar quase 9 milhões de casos¹.

Esse crescimento não é uniforme em todo o território. O Relatório Nacional sobre Demência (ReNaDe) aponta que as prevalências mais altas estão no Norte e no Nordeste, chegando a 10,1%, enquanto o Sul apresenta índices mais baixos, de 7,3%¹.

Causas, estágios e fatores de risco

A doença de Alzheimer é a causa mais frequente, respondendo por 60% a 70% dos casos², mas não é a única. Demência vascular, demência frontotemporal e demência com corpos de Lewy também fazem parte do cenário². Em muitos pacientes, mais de uma causa está presente, formando o quadro conhecido como demência mista. Essa complexidade clínica exige uma abordagem diferenciada no diagnóstico e no cuidado.

É importante destacar que nem todo esquecimento é sinal de doença. Mudanças sutis de memória fazem parte do envelhecimento saudável e não comprometem a autonomia. Entre essa condição e a demência há o Comprometimento Cognitivo Leve (CCL), caracterizado por queixas cognitivas acompanhadas de alterações discretas em testes objetivos, mas com preservação da independência funcional. O CCL é considerado um estágio de risco, com maior chance de progressão para demência².

Segundo o consenso da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), a evolução clínica pode ser dividida em fases²:

  • Inicial: dificuldades de memória episódica, alterações de linguagem e pequenas mudanças comportamentais.

  • Intermediária: perda progressiva da autonomia, desorientação e alterações de comportamento.

  • Avançada: dependência total, perda da fala e dificuldades de deglutição.

Do diagnóstico precoce ao impacto nas famílias

O reconhecimento dos sinais de alerta faz diferença¹. Entre eles estão esquecimentos que atrapalham atividades cotidianas, dificuldade em executar tarefas conhecidas, alterações de raciocínio e linguagem, mudanças de humor, desorientação em locais familiares e perda de interesse por atividades antes prazerosas. Identificar esses sintomas e procurar atendimento especializado pode abrir espaço para medidas de prevenção secundária, como controle de hipertensão, diabetes, tabagismo e inatividade física, que segundo o ReNaDe representam parcela importante da carga atribuível às demências no Brasil¹.

Famílias e cuidadores devem estar atentos a sinais como esquecimentos frequentes que comprometem atividades habituais, dificuldade em realizar tarefas do dia a dia, alterações de linguagem e raciocínio, mudanças de humor ou comportamento e desorientação em locais familiares. Diante desses sintomas, é recomendável buscar atendimento médico especializado.

Esses sinais de alerta não afetam apenas quem convive com a doença, mas também refletem um impacto mais amplo na comunidade e nas políticas de saúde. O Brasil enfrenta um crescimento rápido de casos de demência, com forte impacto social e econômico. Integrar prevenção, diagnóstico precoce e suporte a pacientes e famílias é prioridade para reduzir o peso da doença. A ABRAZ, em parceria com instituições científicas e o Ministério da Saúde, tem papel central na conscientização e defesa de políticas públicas que garantam cuidado digno e equitativo.

* Artigo assinado pela Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz).

Referências

1. Brasil. Ministério da Saúde. Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (re)conhecimento e projeções futuras. Brasília: MS; 2024.

2. Caramelli P, Brucki SMD, Nitrini R, et al. Consenso Brasileiro de Demência. Dement Neuropsychol. 2022;16(3 Suppl 1):21-106.

3. Tratamento da demência: recomendações do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. Dement Neuropsychol 2022 Setembro;16(3 Suppl. 1):88-100. https://doi.org/10.1590/1980-5764-DN-2022-S106PT

Material destinado ao público geral.

PP-AD-BR-0226 – Setembro 2025